sexta-feira, junho 01, 2012

Para hoje...


Ser simplesmente eu
Fazer alguém sorrir
Verificar que valeu
Ver uma flor se abrir

Sair por aí
Sem destino
Entrar ali
Como clandestino

Andar de bicicleta
Sem a menor preocupação
E dar volta completa
Na cidade ou no quarteirão

Praticar um esporte
E treinar um tanto
Pra ficar forte
E perder de vez em quando

Tocar meu violão
Pois assim que se agita
Cantar uma canção
Beijar mulher bonita

Jogar videogame com ela
Embaixo do cobertor
Com brigadeiro de panela
Pra depois fazer amor

Levar minha mensagem
Pra quem precisa ouvir
E fazer sacanagem
Com quem quiser curtir

Amar a natureza
Comer cacho de uva
Admirar a beleza
De um dia de chuva

Ajudar a quem precisa
Fazer um lindo verso
Levantar uma pesquisa
Sobre a origem do universo

Não, não é só para hoje...
... é para sempre!
 

Dom Secreto


Poesia de Leandro Lantin e Marília Andrade, feita em 2007.
Obrigado por tudo que você me ensinou, Marília. Que Deus a tenha.

Os dias passam
E se disfarçam
Em anos-luz

A eternidade
Da humanidade
Me seduz

Tudo que eu sei
E que conquistei
Não foi só pra mim

Somos grandes mestres
Cada um de nós
Basta dar o exemplo
Pro mundo ficar melhor

Do filho ao neto
O dom secreto
Vai se repetir

O conhecimento
A cada momento
Vai se expandir

Porque ao mundo
Não viemos
Só pra aprender

Porque o que eu vi
E o que eu aprendi
Não só eu vou saber

A responsabilidade
De fazer o certo
Está na mão de todos
Os que são mais velhos

E a cada jovem
O dever é aprender
Pra passar pro próximo
Saber o que fazer

Aeroporto de Mosquito


Cortei o cabelo,
Mais uma vez
Foi por desapego?
Dinheiro talvez...

Já não aguentava
As longas madeixas
E já escutava
Algumas queixas

"Parece mulher
Quando vê de costas"
Se é um louco qualquer
Já falo umas bostas

Pois é inaceitável
Esse tipo de preconceito
O cabelo impecável
Combinava com meu jeito

Mas cortei o cabelo,
Mais uma vez
Foi por desapego?
Dinheiro talvez...

E inveja feminina
quase fez ele cair
Usei até vitamina
Pro cabelo reluzir

Tudo isso foi em vão?
Raspei tudo de uma vez!
Não há mais cabelo não!
"Olha só o que você fez!"

Só sobrou foi a careca
Ficou um tanto esquisito
Cabeção de perereca
Aeroporto de mosquito

Cortei o cabelo,
Mais uma vez
Foi por desapego?
Dinheiro talvez...

E não é que valeu?
Rendeu uma graninha
Mas será que sou eu?
Idéia doida essa minha...

Juro que eu não minto!


Já tive grandes paixões
E tive grandes sonhos
Que instigaram corações,
Das que moldam quem somos

E desde que provei o sabor
Do sexo e da paixão
Eu senti o verdadeiro amor
Pela busca do tesão

Algo que talvez aumente
Todo o tesão que sinto
É uma coisa que é da gente
Juro que eu não minto!

Um tesão maior do que já é
Faz o nível de exigência subir
Mas e aí quando não der?
O esquema, amigo, é desistir.

Não adianta dar murro em ponta de faca
O que é pra ser, será!
Porque quando a coisa empaca
Outro lance eu vou procurar.

Algo que talvez aumente
Todo o tesão que sinto
É uma coisa que é da gente
Juro que eu não minto!

E desde que provei o sabor
Do sexo e da paixão
Eu senti o verdadeiro amor
Pela busca do tesão

Algo que talvez aumente
Todo o tesão que sinto
É uma coisa que é da gente
Juro que eu não minto!


Insuficiência


Nunca tá bom
Sempre é pouco
Faltou aquele som
Nunca tem troco

O chão nunca tá limpo
O ônibus sempre demora
Falta ouro no garimpo
Quero comprar cigarro agora

Eu sempre quero mais
Mas ponho a mão na consciência
Vou lidando, eu sou capaz
Com a insuficiência

Faltou água na minha rua
E tem buracos na calçada
A nuvem tá cobrindo a Lua
E eu tô perdendo a minha amada

Paro e penso nisso tudo
E logo fico assustado
Como se ficasse mudo
E ao mesmo tempo abestalhado

Se eu quero sempre mais
Do que eu não posso ter
Logo vou correr atrás
Pro meu sonho não morrer

Mas vou indo devagar
com cuidado e precaução
Muito tempo pra pensar
E muito amor no coração

Pois se isso me enraivece
Não é coisa que se faça
Dia-a-dia que amanhece
Quando o tempo nunca passa

Eu sempre quero mais
Mas com paciência
Vou esperando, eu sou capaz
Com inteligência
 

Compartilhando com Desconhecidos


Navegando pela Net
Somos todos belos
Jogamo-nos confete
Enchendo nossos egos

Mas esta não é a verdade
Só nos passamos por modernos
Nós temos certa vaidade
Sabemos que não somos eternos

Sobre nossas vidas escrevemos
E sobre tudo nós contamos
Mesmo para quem mal conhecemos
E para a família nos calamos

Nos aproximamos das pessoas distantes
E nos distanciamos das pessoas próximas
É tão fácil que, em instantes
Encontramos conversas ótimas

Dizem que é coisa do capeta
Dizem que nos torna menos humanos
Alguns dizem: Não se meta!
Outros dizem: Nós te amamos!

Não precisamos ter medo algum
Do que somos, lemos ou escrevemos
Pois nesse mundo há sempre um
Que concorda com o que dizemos

Mas quando a fronteira é quebrada
Não temos mais onde nos esconder
A parede do anonimato é derrubada
E é preciso falar ao invés de escrever

E muitas vezes nos decepcionamos
Quando vemos que as pessoas são assim
Mesmo quando as barreiras derrubamos
A pessoa cria outras até o fim

Pois o que sempre foi fácil de esconder
Agora fica difícil de mostrar
Tem coisas que a gente quer esquecer
E que não são fáceis de revelar

Nossos sonhos, medos e desejos
Compartilhamos com desconhecidos
E nos esquecemos de dar beijos
Nos nossos parentes e nossos amigos

sexta-feira, novembro 04, 2011

Aquela Antiga Canção


Hoje eu me lembrei
Daquela antiga canção
Que pra ti eu cantei
E que foi de coração

Lembrei-me do teu rosto
Com lágrimas a cair
E de ter posto
Você a sorrir

Eu te dei o meu amor
E você me deu alegria
Mas enfim veio a dor
E no fundo eu já sabia

Que não importa mais
Quem teve ou não razão
Para mim isso tanto faz
Já curei o meu coração

Mas hoje eu me lembrei
Daquela antiga canção
Que pra ti eu cantei
E que foi de coração

De um jeito meio tosco
Com lágrimas prossegui
E o teu rosto
Nunca esqueci

Eu te dei a minha dor
E você me esqueceu
Mas enfim veio o amor
Que no fundo apareceu

Mas agora tanto faz
Pois aquela canção
Não cantei nunca mais
Ficou só no coração

E hoje eu me lembrei
Daquela antiga canção
Que pra ti eu cantei
E que foi de coração

domingo, outubro 23, 2011

Muita Estrela Pra Pouca Constelação...


Eu já enfrentei
diversas realidades
e agora encarei
absolutas verdades

Eu quero tudo
e não quero nada.
Mas em cima do muro
eu quebro a cara.

Se eu me decido,
sou julgado.
E entristecido,
me torno amargo

Mas ninguém sabe
como é que eu me sinto.
Quando digo a verdade
pensam que eu minto

Muita boboseira
e muita falação.
Muita estrela
pra pouca constelação.

Fazedo a minha caveira
me tornaram um vilão.
Assim mesmo, de bobeira.
Será que é tudo em vão?

Sou como tempestade.
Sou bom e sou mau.
Com a minha bondade
e meu lado irracional.

Quem vence nesta luta?
O vilão ou o mocinho?
Mas seria uma disputa?
Ou seria só charminho?

Talvez nunca saberei.
Não há sangue em minha espada.
Esta luta eu abandonei
pra não matar quem eu amava.

Tanto esforço para nada
E eu só queria paz.
Decifrei essa charada?
Já não sei mais, tanto faz.

E como nunca saio perdendo,
Vou ganhando a cada segundo.
Das tragédias me esquecendo,
E conhecendo mais o mundo.

O que nos ensina
a viver e a amar.
É a nossa sina.
Entender e perdoar.

quinta-feira, dezembro 02, 2010

O Sol do Meu Bom Dia


Meu amor, minha boneca,
sol do meu bom dia
que na minha face seca
este choro de alegria!

Alegria de estar vivo
de gostar de ser quem sou
de sentir o ar que eu respiro
E de ouvir aquele som

Que toca no coração
e só com você quer dizer
que toda essa emoção
me dá vontade de viver

Pois ela busca em mim
aquilo que quero oferecer
funciona muito bem assim
é se doar e receber

não falo de coisas carnais
mas sim de nossas energias
coisas que são tão pessoais
que contém certas magias

As que movem as engrenagens
e das correntes quebram elos
das mais safadas sacanagens
até os carinhos mais belos

terça-feira, novembro 23, 2010

Engrenagens


Mais um ciclo chega ao seu fim
assim como um novo se inicia.
Energias em movimento assim
nos lembram que a roda gira

Engrenagens há tempos emperradas
que não queriam mais se mover
agora reluzentes estão preparadas
para a qualquer momento se mexer.

E numa espiral infinita,
a cada ciclo a roda aumenta
nos mostra que a vida é bonita
quando a gente de verdade tenta

Tenta ser feliz,
ser o que a gente é.
Dono do próprio nariz
ou da nossa própria fé.

Porque se nós não tentamos
é a certeza de nada ter.
Mas se nós acreditamos
tudo pode acontecer.

Até aquele sonho distante
impossível de acreditar,
se insistirmos bastante
nós podemos realizar.

Pois a engrenagem que não se movia
Agora voltou a funcionar.
E tudo aquilo que eu conhecia
Já não está no mesmo lugar.